Cultura de Partnership: faz sentido o colaborador ser sócio da empresa?

Cultura de Partnership: faz sentido o colaborador ser sócio da empresa?

Em inglês, Partnership, em português, o bom e velho “Parceria”.

A aplicação desta cultura em uma empresa pode ser muito benéfica, pois se trata de um plano estruturado, em que seus colaboradores podem se tornarem sócios da empresa.

Em uma visão crua, você pode até achar que isso não é um benefício, pois estaria perdendo parte da empresa. No entanto, convido-os a refletir o seguinte: quem é o maior interessado no crescimento de sua empresa? Resposta: você, pois você é dono.

Imagine só se o seu colaborador, após cumprir metas, prazos e ajudar no crescimento da empresa, poder se tornar sócio e, a partir dessa ideia, o colaborador ter o mesmo interesse que você, pois se a empresa crescer, a participação do colaborador será mais valiosa.

O que é Partnership?

Como mencionado acima, Partnership é um programa criado pela empresa para que seus funcionários (ou prestadores de serviços) se tornem sócios. Essa prática está muito relacionada com a estratégia de crescimento da empresa, uma vez que o colaborador não se tornará sócio pura e simplesmente porque quer, mas sim porque cumpriu determinadas tarefas voltadas para este crescimento.

A palavra meritocracia é muito discutida na sociedade. No entanto, em uma empresa privada é absolutamente possível criar uma estrutura organizacional meritocrática, com base em critérios objetivos e transparentes.

No longo prazo, este programa alinha as expectativas daqueles que participam, tanto os sócios do negócio, quanto dos colaboradores, e equilibra essa relação, que nem sempre é fácil.

Este programa pode ser criado para empresas Limitadas (LTDA), não havendo necessidade de ser uma sociedade por ações. Havendo uma boa estruturação do programa, com a criação do plano de outorga destas ações/quotas, empresas de todo tamanho podem se beneficiar.

Este programa ou projeto, é algo a ser pensado e analisado de forma estratégica, tendo em vista o alto impacto que isso trará para o negócio. Os desafios existem, mas são possíveis de serem ultrapassados a fim de que seja criada uma cultura organizacional próspera.

O que deve ocorrer para a criação do programa de Partnership?

Para a criação de um programa de Partnership, uma das coisas mais importantes é quebrar as crenças dos sócios do negócio. No mundo dos negócios, uma pessoa cria uma empresa visando o crescimento e, com isso, colher os frutos. Quem já está há algum tempo no mercado sabe que fazer um negócio crescer estando sozinho ou tentando controlar e estar 100% presente na operação, é praticamente impossível, o que nos leva a concluir que empresas precisam de pessoas e, consequentemente, pessoas precisam de motivação.

O sócio e/ou o diretor precisam entender que nenhum sócio poderá ser protegido acima da sociedade. A empresa deve ser encarada como uma entidade viva, em movimento e crescimento. As pessoas vão passar por ela e o fato de um colaborador se tornar sócio, não faz com que ele seja intocável ou insubstituível.

A partir do momento em que há o pensamento e a crença de que é necessário dividir para crescer, o primeiro passo foi dado. As pessoas que estão no negócio precisam sentir vontade de fazer parte daquilo e isso só vai ocorrer se você, proprietário da empresa, deixar isso acontecer.

Superado o desafio da crença, a empresa deverá criar um plano, que passará pelas seguintes etapas:

  • Criação de uma estratégia bem definida: o que eu quero com este programa?
  • Análise da estrutura de pessoas: a empresa, junto com um profissional do jurídico e RH, deverá criar um organograma das pessoas do negócio;
  • Limitar estrategicamente a quantidade de quotas e/ou ações que serão disponibilizadas para o programa;
  • Criação de um acordo de sócios: documento que definirá quais são os limites, deveres e regras dos sócios, inclusive definindo quando ele, sócio, deverá sair da empresa;
  • O financeiro deverá ser claro e estruturado: você criará possibilidade de ter mais sócios, mas precisa entender o quanto ele, novo sócio, trouxe de retorno para saber o valor e o custo da saída dele.

Dúvidas comuns:

É comum que muita gente tenha dúvidas sobre o programa ou sua eficácia. Longe de nós tentar suprir todas as dúvidas aqui, mas estamos à disposição para esclarecer o que precisarem. Basta nos procurar nas redes sociais.

Mas adiantando, vou resumir as dúvidas mais comuns em pequenos pontos:

  • Eu posso perder o controle da empresa? Pode, mas se você tiver um programa criado por um advogado que entende do assunto e dos riscos, isso não acontecerá e você sempre manterá sua posição;
  • As quotas/ações são transferidas gratuitamente ao colaborador? Depende do seu plano. Existem empresas que criam formas de remuneração que podem ser convertidas em quotas, outras concedem a opção de o colaborador comprar, dando algum bônus pela compra ou não;
  • O colaborador virou sócio e deixou de cumprir suas metas. Terei que aturá-lo para sempre? Não. Por isso é importante ter um plano bem definido, com regras escritas em contratos e a possibilidade de recompra das ações, bem como a possibilidade de retirada do sócio por justa causa.
  • O sócio pode vender as quotas dele para outra pessoa? Depende da previsão do contrato de outorga das quotas e o acordo de sócios. Em regra, as empresas criam mecanismos de preferência, evitando este problema.
  • O sócio recebeu as quotas e já quer sair da empresa. Ele pode? Existe a possibilidade de criação do que chamamos de “cliff”, com estabelecimento de prazos de permanência e etc.

Como criar metas e objetivos para os funcionários?

Esse é um tema que cabe um artigo específico. Prometo que escreverei em pouco tempo, mas por enquanto vamos destacar aqui alguns pontos relevantes:

  • Você não precisa inventar a roda: uma meta pode ser um simples aumento de faturamento de determinado setor;
  • Existem modelos prontos para serem estudados e adaptados para seu negócio, tais como OKR e KPIs (a internet está repleta de explicações sobre isso).
  • Acompanhamento transparente das metas.
  • Teste sempre.

Não existe uma regra milagrosa ou um curso matador. Cada empresário/empreendedor sabe da dor da empresa e pode criar mecanismos próprios e que façam sentido e que possibilitam que a eficiência do plano seja medida.

Conclusão

O programa de Partnership é muito bom, mas você precisa saber se é o seu momento e se a sua empresa está preparada.

Aqui no escritório nós já pegamos empresas enormes, mas cujos sócios não estavam preparados e não queriam preparar o negócio para o programa. Por outro lado, já criamos planos para empresas pequenas, com dois funcionários, mas que já tinham cultura e consciência do quanto isso é importante e crucial para a manutenção de boas pessoas.

E por mais que existam modelos de Partnership e contratos disponíveis na internet, é importante contar com um advogado que entenderá da necessidade, riscos e criará documentos personalizados e específicos para a finalidade de sua empresa.

Por mais que você pense não ser o momento de sua empresa, não deixe essa possibilidade de lado. O tempo está passando rápido, boas pessoas estão sendo procuradas o tempo todo por outras empresas e você poderá perder um bom profissional se pensar em “proteger” uma empresa que não crescerá como poderia.

Se quiser conhecer mais sobre modelos e dicas que podem auxiliar a sua empresa, não deixe de seguir nossas redes sociais e acompanhar nosso blog.

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